sábado, 25 de agosto de 2012

Marco Goulart


O texto abaixo foi copiado da página do My Space de Marco Goulart:

"De quando em quando, surge uma voz capaz de sustentar todo o significado do "cancioneiro brasileiro teimoso" – aquele punhado de velhas melodias que já não se assovia mais e, no entanto, resiste. Marco Goulart é um desses raros casos de intérprete capaz de encher de vida as velhas canções, pois sabe imprimir a elas um jeito inteiramente seu e, assim, as interpreta de um modo novo.

Marco Goulart, indistintamente, encontra as canções nos baús do tempo ou na última leva de composições e se apaixona por elas, não as deixa mais, segue cantando-as por anos, desvendando seus mistérios, deixando-as ser donas de seus lábios e acaba se tornando íntimo de cada uma que escolhe para enfrentar. Ele se arrisca e não tem medo. O resultado é uma interpretação compenetrada, limpa, cheia de delicadezas, que explora as sutilezas de cada composição, numa boa dosagem compartilhada entre técnica e emoção. Às vezes mais de uma ou da outra, mas sempre juntas.

Se existe uma influência fundadora em seu canto é a de João Gilberto. Isso pode não nos saltar logo à primeira audição. Como nada é aparente em sua arte, Marco escondeu os ensinamentos do mestre nos silêncios, no fraseado sofisticado e na prosódia suave com que acaricia a Língua. Uma assimilação não pela imitação, mas pela devoção. Há mais. Grandes cantoras de hoje e de sempre, como Dalva de Oliveira, Gal Costa e Nana Caymmi, estão ali incorporadas em seu jeito de interpretar. Há uma crooner cansada. Há uma diva em sua volta aos palcos. Há uma fadeira que sabe ser, mais que tudo, triste. Há uma baiana, que tendo sido linda, quis permanecer doce. Foi nelas que Marco encontrou as sutilezas dessas emoções que sopra e, por elas, deixou que sua alma fosse feminina.

A música estava presente desde a primeira infância. Da mãe portuguesa chegaram lamentos de além mar e um jeito forte de sobreviver; ao lado do pai, grande pianista cearense, esticou os pés um menino para crescer na música. Comemorou cada disco que ganhou como um brinquedo novo. Guardou-os todos na memória. Ficou burilando, cantarolando e ajeitando aquelas notas na boca e ajustando a elas todas aquelas palavras de gente grande. Foi aprendendo na vida o que elas queriam dizer.

Toda velha canção sempre será sobre o amor, sobre a felicidade de tê-lo, ou sobre a dor e a tristeza de perdê-lo e sair buscando por ele por aí na madrugada. Só quem se entrega ao rir e chorar abundante e à intensidade de viver o máximo pode ser dono dessa sabedoria e pode ostentá-la em sua arte.

De tanto se apaixonar e se perder, de canção em canção, Marco apaixonou-se definitivamente por cantar. Soube que era preciso amar as canções. Cada canção em particular. Para amá-las, foi preciso sofrer o que elas rezam e repeti-las até a exaustão, mesmo enquanto ninguém ouvia. Descobriu um som que é só seu e de mais ninguém. Resolveu ser da música.

Termina que, depois de ouvi-lo, ficamos todos apaixonados por ele, pelo seu canto triste, por seu timbre agradável, pelo vibrato dolente, pelo seu jeito de colocar os "erres" e pela vida inteira que coloca numa frase.

Este cearense de 33 anos, íntimo do Rio de Janeiro e de São Paulo, traz também em sua bagagem como artista uma carreira nos palcos e nas telas, como ator, e uma paixão pela Literatura, como leitor e estudioso. Mas é na música que encontra seu sentido verdadeiro de existir. Pertence ao grupo dos poucos cantores-pesquisadores que têm o talento, o conhecimento e a sensibilidade para elaborar um repertório refinado, referência do que merece ser gravado e regravado.

É hora de ouvi-lo. Mas não se passa por ele como se passa por um cantor qualquer. É preciso ter ouvidos mínimos. Não para perceber semitons, mas para escutar uma urdidura sonora tecida por quem dedica madrugadas insones e manhãs promissoras a encontrar seus sons e no seu trabalho os apresenta com muita competência e paixão. "

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