sábado, 14 de janeiro de 2012

Jorge Mello

Jorge Mello é cantor, compositor, produtor, escritor e advogado. Nasceu no Piauí, mas nos anos 60 já morava em Fortaleza, e participou ativamente do movimento que lançou os artistas cearenses à fama nacional.

Vamos deixar que ele mesmo nos conte sua trajetória na música cearense.

1-Jorge, em primeiro lugar, agradeço sua gentileza em conceder essa entrevista ao blog e também ao Silvio Atanes, que intermediou nosso contato. Para começar, gostaria de saber quando e porque você e sua família se mudaram para Fortaleza.


JM- Quando fui para Fortaleza em 1967, buscava concluir meus estudos. Queria fazer o curso de Direito e no Piauí naqueles tempos não havia essa graduação. Sou o mais velho da família e meu irmão logo em seguida de mim (Emanuel), foi comigo à capital cearense prestar o vestibular para Medicina. Ambos passamos nos cursos que escolhemos logo na primeira tentativa na Universidade Federal do Ceará. Virei estudante de Direito e ele de Medicina. Meus pais e os outros irmãos só foram para Fortaleza em 1971 quando decidi ir embora para o Sul Maravilha (Rio e São Paulo) juntamente com Belchior, Fagner e Cirino na busca de viver de minha música. Nessa época eu cursava o 4º ano de Direito.
Meus pais se sentiram na obrigação de criar uma estrutura para os outros irmãos poderem estudar, porque nessa altura já havia mais um irmão na Universidade (Raimundo José, na Agronomia).


2 -Desde bem jovem você se interessou pela música. Há tradição musical em sua família ?

JM- Comecei a tocar aos nove (9) anos de idade, uma criança ainda. Nessa época eu ajudava meu pai na bodega (pequeno comércio) que ele tinha na Praça do Mercado em Piripiri-PI, minha
terra natal. Entre outras coisas expostas à venda, havia uma sanfona. Eupassava o dia com ela no peito, meio a brincar e instintivamente iam saindo melodias do Luis Gonzaga e Jackson do Pandeiro e outros sucessos, o que deixava meu pai e amigos muito admirados. Eu tocava na bodega e com isso atraía a freguesia para consumir o que havia para vender: fumo de rolo, máquina de costura, chinela japonesa, chapéu de palha, feijão no quilo, vassoura, enfim, tudo que uma pequena comunidade precisava no seu dia a dia.
Nas férias escolares ao invés de brincar como todo menino eu ia para o município vizinho- Campo Maior- estudar acordeon por música com a professora Dona Edimê, e aprendi a ler partituras nos métodos de Mário Mascarenhas. Logo estava animando as pequenas festas de Piripiri. Ou seja, desde cedo já era um artista da pequena localidade. Sempre soube que era artista. Só aos 14 anos troquei a sanfona pelo violão. Nesse momento junto com Beatles, aprendi os acordes do rock e do blues. Mas já trabalhava os acordes do baião e da MPB romântica de Nelson Gonçalves. Na minha família não havia tradição musical nenhuma. Mas, meu irmão Emanuel cantava e canta ainda muito bem. No início formávamos uma dupla: “Os Pássaros”. Ao chegar em Fortaleza, fomos atração nos programas das tardes na TV CEARÁ apresentados por Paulo Lima Verde, cantando em dupla. Isso antes de conhecer os “musicais cearenses”.
Minha primeira grande amizade em Fortaleza foi com Petrúcio Maia, em encontros no Conservatório Alberto Nepomuceno. Ele mostrava as suas criações e eu mostrava as minhas. Depois conheci o restante da turma. Isso aconteceu com minha participação nos muitos festivais de música da capital cearense.

3 –O Ceará foi um dos primeiros locais a promover Festivais de Música Popular e no festival realizado em 1967, você já tinha uma canção inscrita. fale-nos sobre sua experiência com os festivais.

JM-Em todos os festivais de música, fui classificado com alguma canção. No início ganhei uma menção honrosa com MORENA CHICA, que motivou uma amizade boa com Dalva Estela (membro do júri) que rasgou elogios para essa minha criação. Logo em seguida estava em outro Festival com CAI O PANO (a defendi no Teatro José de Alencar). E assim outras canções minhas foram aparecendo até que eu já na Universidade fosse convidado para fazer a trilha sonora da peça de teatro O MORRO DO OURO (direção de Haroldo Serra), que fiz em parceria com Belchior, com quem mantinha uma grande amizade. Também fiza Direção Musical da peça. Essa parceria foi tão forte que nos levou à TV CEARÁ onde fomos convidados (eu e Belchior) para fazer a Direção Musical do programa “PORQUE HOJE É SÁBADO” apresentado por Gonzaga Vasconcelos. Depois o programa mudou para GENTE QUE A GENTE GOSTA ainda com a Direção Musical de Jorge Mello e Belchior e foi o embrião da nova música cearense. Na TV participei de mais um festival onde classifiquei a canção POP TROP interpretada por Orlandinho. Com a vitória nesse Festival e com a vitória da peça O MORRO DO OURO como musical dirigido por mim na cidade de São José do Rio Preto, município no interior de São Paulo onde ganhou como “Melhor Espetáculo”, “Melhor Direção”, “Melhor Musical”, e outros três prêmios, e ainda foi escolhida pelo público com 96% de aprovação para ótimo e apenas 4% para regular. Isso somado aos papos dentro da noite no Bar do Anísio, vi que era a hora da partida para o Sul na busca de viver da profissão de músico. Fui com a peça, mas não voltei. Fiquei lá no Sul onde estou até hoje. Conheci a Teca (minha mulher) na peça, ela interpretava Madalena, a puta do bairro, que era o principal papel. Logo depois ela foi se juntar a mim no Sul.

4 –No final dos anos 60 você já cursava Direito na UFC, certo ? Como era o ambiente na época ? Você também frequentou o Bar do Anísio. Dê-nos sua visão sobre o período.

JM- Essa pergunta já está parcialmente respondida. Sim, eu estudava Direito na UFC. Quanto a pergunta: Como era o ambiente na época? Respondo: E o ambiente era uma efervescência só. Movimentos estudantis por todo o globo. Festival de Woodstock, movimento “Hippie”,a música popular sendo renovada com a presença de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento e todos nós, amantes dos Beatles. Era a coisa melhor do mundo prá quem na minha idade, com 18 anos , havia determinado ser músico profissional.
Respondendo se freqüentei o Bar do Anísio, lhe digo que fazia isso todo dia. Frequentei diariamente até o dia em que fui embora. Era meu lar. Lá convivi com todos os amigos músicos ou não: Augusto Pontes, Antonio José Brandão, Belchior, Sérgio Pinheiro, Rodger, Tetty,Dedé, Fausto Nilo, Ednardo, Petrucio Maia, Yeda Estergilda Cláudio Pereira, Francis Vale. Outros freqüentavam menos, mas apareciam vez ou outra: Poeta Raposo (Manoel Coelho Raposo), Amelinha, Ricardo Bezerra, Tania Cabral, Mércia Pinto, Cirino, Miguel da Flauta e outros. Eu sinto uma saudade danada da biquara frita que o Anísio servia.
Minha visão sobre esse período: Havia uma euforia no ar, tudo era arte, tudo era agitação: Teatro, TV, músicas, parcerias (nesse período fiz músicas com Belchior, Ricardo Bezerra, Antonio José Brandão e Yeda Estergilda) e sonho. Ouça ou leia o texto de minha música CANÇÃO DE GESTA DE UM TROVADOR ELETRÔNICO (Jorge Mello e Belchior) que descrevo a emoção desse período.

5 –Você participou diretamente do programa " Porque hoje é sábado" , junto com Ricardo Bezerra e Fagner. Como foi ?


JM- No programa PORQUE HOJE É SÁBADO eu era o Diretor Musical, função que dividia com Belchior. Além de dirigir, eu e Belchior nos apresentávamos como artistas, interpretando nossas músicas. Mas tínhamos a responsabilidade de convidar e dirigir os outros artistas locais e de apresentar artistas do Sul do país que estivessem em Fortaleza (obrigatoriamente toda semana havia um convidado de sucesso vindo do Sul). Muitas dessas apresentações eram dirigidas de maneira a que os artistas locais se apresentassem juntos uns com os outros. E tive a oportunidade de me apresentar muitas vezes com outros colegas e me lembro muito bem da apresentação que fiz com o Fagner e o Ricardo Bezerra interpretando MANERA FRUFRU, MANERA. Tenho fotos dessa apresentação. Muita gente se apresentou no programa: Loudinha Vasconcelos, Orlandinho, Garotas 70, Trio Nagô, Miguel da Flauta, PT (esse foi embora prá França e vive de música por lá seu nome é Pretestato Melo, conhecido como PT), Jucy França, além dos intérpretes e compositores já citados quando falei no Bar do Anísio.

6 – Com o início dos anos 70, a maioria dos artistas iniciantes saiu de Fortaleza para o eixo Rio/SP a fim de consolidar suas carreiras. Com você não foi diferente. Como seu deu a sua saída do Ceará ?


JM-Bem, eu percebi que se não saísse de Fortaleza, ficaria repetindo as glórias já alcançadas: faria outra peça de teatro, ganharia mais um festival da canção, e seria autor de novas canções e buscaria novas parcerias. Entendia tudo isso como repetição do que já havia conquistado. Cheguei até a trabalhar com a produção de jingles na capital cearense. Mas sonhava ir mais adiante. E, aproveitando a vinda da apresentadora da TV TUPI do Rio de Janeiro, CIDINHA CAMPOS, para um programa especial do GENTE QUE A GENTE GOSTA, a nosso convite, perguntei as condições e possibilidades de dar certo uma aventura dessas prá artistas novos. Ela adorou a idéia e até me convidou para ser Diretor Musical do programa dela no Rio: CIDINHA LIVRE. E para me mostrar que seria possível, ela me proporcionou uma visita no Rio de Janeiro para uma apresentação no seu programa. Nessa altura o Belchior já morava no Rio. Fui e procurei o Belchior e fiz o contato dele com a Cidinha Campos e prometi pensar na possibilidade de ir trabalhar com ela e com o marido MANOEL CARLOS (o autor de novelas da Globo), que era o Diretor geral do programa da Cidinha na TV TUPI. Fui bem na performance no programa no Rio e a Cidinha e o Manoel Carlos renovaram o convite para que eu fosse morar no Rio e trabalhar na TV e na música. Vi que era o que eu queria. Não ficaria mais em Fortaleza. Ao voltar, providenciei minha saída da Universidade, tranquei a matrícula, sabia que a peça de teatro O MORRO DO OURO estaria em São José do Rio Preto (SP) em coisa de dois meses para o Festival Internacional de Teatro e fiz minha dispensa da TV Ceará do cargo de Diretor Musical. Agora era planejar minha carreira por lá. Resolvi que não voltaria para o Ceará após a apresentação da peça no interior de São Paulo. E foi o que eu fiz. Todo o elenco voltou e eu fiquei sozinho em São José do Rio Preto com a cara e a coragem e fui de trem até São Paulo (um dia todo de viagem) e lá pequei um ônibus para o Rio de Janeiro, onde cheguei ao amanhecer de um lindo dia de julho de 1971.

7 – A estória do apartamento na Rua Barata Ribeiro (Copacabana) onde você morava com sua esposa e que serviu de ponto de apoio e abrigo para Fagner, Belchior, Cirino e tantos outros é famosa. Gostaria de conhecer a sua versão dos fatos.

JM-Quando de minha volta do programa da Cidinha no Rio para assumir a Direção Musical na TV Ceará, fiz contatos constantes com o Belchior no Rio contando da minha decisão de ir embora e me juntar a ele. Afirmei que chegaria logo após o evento de teatro no interior de São Paulo. Com isso o Belchior já me esperava. Ao chegar no Rio, fomos morar juntos: Eu, Belchior, Fagner (que chegara de Brasília) e Cirino, na Rua Barata Ribeiro esquina com a Rua Santa Clara em Copacabana. Eu trabalhando na TV TUPI como Diretor Musical, aproveitei para abrir as portas para a turma toda em tudo o que era programa na TV. Isso gerava uma graninha de cachê e divulgava o pessoal. Eu vivia do meu salário. Logo em seguida veio a Teca se juntar a mim. Assumindo as rédeas do apartamento, tivemos que nos adaptar à bagunça do entra e sai da rapaziada. Tivemos de fazer do lugar uma embaixada da música cearense. Quase dois anos depois de entrarmos nessa luta sobrevivendo de som e de sonho, foi que veio para São Paulo, o Ednardo, o Rodger e a Tetty. E isso foi muito bom porque eles escolheram São Paulo para morar, assim montamos dois pólos para a tropa. Depois da chegada deles passamos a ter dois pontos de encontro e embaixadas, a carioca (minha casa) e a paulista (casa do Rodger e Tetty). Quando a tropa de São Paulo ia ao Rio, dormia em nossa casa prá mais de 15 pessoas. Imagine toda essa turma dentro de um kitschenet. Isso me fez criar uma canção com esse título: KITSCHENET. Guardo muitas lembranças desse período e repetiria tudo outra vez. Foi aí que o Haroldo Serra, o diretor da peça cearense conseguiu um patrocínio para apresentar a peça no Rio de Janeiro. Fui convidado para a montagem juntamente com o Belchior. E assim trabalhamos na peça, dessa vez montada com atores de sucesso da TV. E eu dirigindo a parte musical. Aproveitei para conhecer muita gente que foi muito importante para nossas carreiras.

8 –Em 1972 você lançou seu primeiro disco. Como foi ?


JM- Eu e Manoel Carlos, providenciamos documentos do Belchior para inscrevê-lo no Festival Universitário da TV Tupi e ele faturou o primeiro lugar com a canção NA HORA DO ALMOÇO. No ano seguinte se realizou o último dos festivais universitários da TV Tupi. Resolvi concorrer, mas não podia por ser contratado da emissora. Então resolvi deixar a TV e acreditar apenas na música. Pedi demissão e fora dos quadros de funcionário, me inscrevi no festival e fui classificado entre os finalistas com a canção: FELICIDADE GERAL. Ganhei o prêmio de Melhor Comunicação. Isso me levou a um contrato com uma gravadora e gravei o Compacto Duplo FELICIDADE GERAL com essa canção e mais três (3) outras, meu primeiro disco. Uma das músicas é minha e do Brandão: SE PRECISO VOCÊ CHORA. Viajei o país inteiro com esse disco na mão fazendo shows.

9 –Como se deu a sua mudança do Rio para SP e consequente aproximação com o trabalho de Belchior ?


JM- Com nossas idas e vindas constantes entre Rio e São Paulo, percebi que fazia muitos amigos na capital paulista e comecei a gostar do ambiente de morar em casas ao invés de em apartamentos. Também para o que fazia, música, as oportunidades foram maiores nas terras paulistas. Conheci produtores, gravadoras, e arrumei logo um trabalho para ensinar música numa faculdade: INSTITUTO MUSICAL DE SÃO PAULO. Também fiz o curso de graduação em Composição e Regência e Licenciatura Plena em Música. Ensinei em outros estabelecimentos de ensino musical: INSTITUTO MUSICAL MOSARTEUM e FACULDADE PAULISTA DE ARTES. Logo estava dentro das gravadoras e das editoras musicais como maestro, produtor e como interprete. Sem perceber estava produzindo jingles de publicidade, trilhas prá cinema, teatros (fui criador e diretor musical de dezenas de peças de teatro).
Um dia conversando com o Belchior ele me convidou para ser seu sócio em uma gravadora, topei e comecei a dirigir a própria gravadora: PARAÍSO DISCOS. Eu dirigia e produzia, porque o Belchior só viajava colhendo os frutos do seu sucesso popular. Depois ainda com o Belchior criamos a Editora CONSTELAÇÕES. Nesse período, durante uns 20 anos como sócios, surgiram muitas parcerias musicais com Belchior e fui produtor de muitos dos seus álbuns. Mas como intérprete, ele tinha a carreira dele e eu tinha a minha. A dele pelo sucesso que atingiu se destinou ao mercado de shows tradicionais, com mercado garantido em prefeituras, clubes, entidades culturais, teatros etc. A minha carreira como alcançou o prestígio de crítica (tive a honra de ter meus discos escolhido pela crítica especializada como o melhor disco do ano vários vezes) e não o sucesso popular, atingiu o espaço de shows em eventos de empresas, como: convenções, exposições, lançamentos de produtos, eventos empresariais, espaços culturais patrocinados, que faço por meio de agências de publicidade e patrocinadores. Basta dizer que fui artista contratado de um produto por 14 anos seguidos. Fazia só para esse cliente uma centena de shows por ano. No mais, faço SESCs, entidades culturais, essas coisas. Me apresentei na maioria das vezes, em grandes hotéis como em Foz do Iguaçu, Cancun, Mar Del Plata e em todo o litoral brasileiro, lugares apropriados a eventos de negócios. Esse é o filão que conquistei para trabalhar a vida toda. Não por escolha minha, mas por circunstâncias naturais da carreira. Nunca fiz sucesso popular. Deixei a sociedade com o Belchior em 1994 porque ele queria adquirir um estúdio pela empresa e eu era contra. Como maestro e produtor eu sabia que essas estruturas de estúdio tradicionais estavam com seus dias contados e eu não queira essa aventura para mim. Expliquei ao Bel que todo garoto teria em casa com um computador, e com ele um estúdio completo. Argumentei que essas estruturas como a que ele queria comprar era absolutamente obsoleta. Ele insistiu e eu pulei fora. Então abri em sociedade com a Teca a JMT PRODUÇÕES, que administrou minha carreira até quando resolvi voltar para o Direito, e me especializar em Direito Autoral.

10 -Alguns artistas cearenses dizem que realmente houve o chamado movimento " Pessoal do Ceará" , enquanto outros, como Fagner por exemplo, negam isso. Qual a sua visão ?


JM- O movimento PESSOAL DO CEARÁ havia quando estávamos no Ceará. Só se pensava e se falava nisso. Ao chegarmos no Rio, plantei muito essa idéia. Mas essa aura era maior que um grupo ou banda com esse nome. Na prática o que houve foi um monte de pessoas talentosas querendo mostrar o seu trabalho. Mas não houve na prática essa força condensadora de um movimento. Para mim um movimento teria uma estratégia, uma unidade no pensar. Mas o que sobrou foi uma luta pessoal de cada um para abrir espaços para o seu trabalho e não para o trabalho do grupo. Houvesse movimento, todos estaríamos brilhando muito mais. Mas foi bom que assim fosse compreendido pela mídia, porque essa vendia uma unidade que nunca houve.

11-Atualmente você continua trabalhando com música ? Tem planos de lançar algum disco ?

JM - Meu trabalho atualmente é o mesmo. Sou artista, nasci assim. Sou músico, não posso fazer nada contra isso. Quer saber se trabalho com música? Trabalho, sim, com música todo dia. O que acontece é que me cansei da batalha do músico, daquela coisa de ficar procurando espaços, se vendendo, se promovendo na busca das oportunidades. Isso não faço mais. Mas, todo ano mantenho minha agenda de shows que me interessam fazer. Na hipótese de haver o convite para shows, costumo atender. Lembrando que meu mercado pouco sai dos eventos de negócios como convenções de empresas, exposições, lançamentos de produtos, entidades culturais, essas coisas.
Por outro lado, falando do compositor, muita gente me grava. Recentemente o Grupo BICHO DE PÉ gravou de minha autoria em parceria com a Teca a canção ATREVIDA, que a Janaina, a cantora da banda, interpretou muito bem. Ela até já escolheu outras coisas minhas para gravar. O cantor Rey Verçosa, também gravou de minha autoria QUE DE QUADRILHA e EMBOLADA. Sou autor de mais de uma centena de obras gravadas por inúmeros intérpretes da MPB. Meu CD mais recente é CLARAMENTE que fiz pela CPC UMES. Pretendo gravar um álbum com uma sonoridade bem leve, só ao violão e pequenos detalhes de solos. Mas não escolhi ainda o repertório.

12-Seu arquivo pessoal sobre os anos 70 é muito rico. Você tem projetos de lançar algum livro sobre essa época tão importante na história da MPB e em especial da música cearense ?

JM – Disponho de muitos documentos que registram minha carreira e por tabela, de todos que fazem a música cearense de minha geração. Sou uma pessoa muito organizada, tenho o espírito do colecionador, guardo tudo que passa por minhas mãos e como tal guardei muitos documentos importantes do nosso começo no Sul. Inclusive tenho um diário onde registrei todos os nossos contatos com artistas, produtores, amigos, patrocinadores. Digo dia e hora em que estivemos com cada pessoa que nos procurou e que nos ajudou. Um registro histórico realmente que conta essa saga, essa gesta que foi a chegada do pessoal cearense no Sul e que embora seja piauiense de nascimento, sou cearense por adoção, porque fui adotado pelos amigos que comigo fazem música, arte e cultura no Ceará. Fui adotado por essa onda musical que mudou minha vida. Sou escritor, escrevi e lancei vários livros, mas esse livro sobre nossa saga, reluto escrever. Entendo que por ser peça de dentro do movimento, o livro pode ser envolvido numa aura pessoal e sentimental. Creio que como documento teria mais importância se fosse escrito por uma pessoa de fora. Isso daria ao livro maior credibilidade.
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