terça-feira, 9 de novembro de 2010

Isaac Cândido e Marcus Dias - CD "Algo sobre a distância e o tempo"


Em 2005, época do lançamento do CD – Algo sobre a distância e o tempo – o jornalista Dalwton Moura fez a seguinte revisão sobre o trabalho:

“Uma das mais prolíficas parcerias da música popular cearense contemporânea, Isaac Cândido e Marcus Dias inicia a temporada de lançamento de seu segundo CD. “Algo sobre a Distância e o Tempo” chega com um apurado trabalho de produção e direção musical do percussionista Pantico Rocha, cearense aclamado nacionalmente. E registra, entre algumas regravações, uma maioria de canções inéditas de Isaac e Marcus - frutos antigos ou mais recentes de um encontro que permanece.


É tempo de saber. Para Isaac Cândido e Marcus Dias, antigos artífices da música pela ensolarada Fortaleza, chega a hora de um novo encontro entre si e com o público. Em fins dos anos 80, a parceria tomou forma e ganhou corpo, resultando em um baú de aproximadamente 200 criações e em inúmeros shows em bares da capital. Nada, diga-se, segundo a cartilha vigente do voz, violão e sucessos de rádio. Desde sempre, os dois optaram por mostrar a cara em composições próprias, cujas letras eram distribuídas em panfletos (é, ainda não se usava “folder”) aos espectadores. Poesia, melodia e descontração em palcos como o Cana Verde e o Toca da Pantera.


Já em 1992, depois de um período de intensa criação, a dupla se distanciou, depois de trocar Fortaleza por Brasília. Ao longo da década, o encontro se manteve em suspenso, até que, em 1999, Isaac lançou seu primeiro disco, homônimo, registrando boa parte das parcerias com Marcus. Além das criações da dupla, o bem-produzido CD trazia contribuições de Marcílio Homem, Rogério Lima, Jorge Hélio e Beto Paiva, além do carro-chefe, somente de Marcus Dias: “Os bêbados”. Canção que não demorou a sair dos bares para o cardápio musical dos mais atentos, ironizando não apenas os bebuns que misturam os tópicos e promovem o riso, mas também as moças católicas que aos sábados vão à missa, rezar pra tentar encontrar algum... bêbado.


No ano passado, o reencontro. Depois de uma temporada no Rio de Janeiro, onde abriu diversos shows da diva da bossa Leny Andrade, Isaac retornou a Fortaleza e começou a dar corda no antigo parceiro. Convite aceito, surgiu a concepção de um novo show, intitulado “Algo sobre a distância e o tempo”. “Eu tinha voltado a escrever, tinha vários textos sobre o tempo, e isso coincidiu com a chegada do Isaac. Encaixou bem”, Marcus reconstitui. O show foi apresentado em espaços como o Theatro José de Alencar e o Teatro Sesc Emiliano Queiroz, além da Mostra Sesc de Música no Cariri, este ano. Na apresentação de estréia, a benção do cantor e compositor Raimundo Fagner, primo de Isaac, que participou do espetáculo, no TJA.


Agora, o show se transforma em disco. Isaac e Marcus iniciam a temporada de lançamento de “Algo sobre a distância e o tempo”. Serão quatro shows celebrando um trabalho marcado pela percussão e pela direção musical de Pantico Rocha, cearense nacionalmente consagrado por dividir palcos e estúdios, ente vários outros, com o bardo pernambucano Lenine. “Pensamos em buscar um diretor musical que tive influências não só daqui, mas também de fora. E o Pantico é assim: onde você chegar no Brasil todo, ele é sempre reconhecido pelos músicos”, destaca Isaac. “A sonoridade do disco tá supercoerente, todas as músicas têm ligação uma com a outra. Foi um trabalho muito discutido, por três pessoas, sempre tendo um voto de minerva”.


De fato, o resultado é um disco de ambiência sonora sensivelmente mais pesada que no anterior. Bateria, percussão e programações de Pantico se unem ao contrabaixo de Miquéias dos Santos, às guitarras e aos efeitos do carioca Júnior Tostoy e aos violões e guitarras do cearense Lu de Souza. “Esse é o quarteto básico do disco, que gravou todas as faixas e ao qual acrescentamos alguns convidados muito especiais”, Isaac acrescenta, citando as contribuições de Adelson Vianna (acordeon), Renno Saraiva (teclado), Mimi Rocha, Carlinhos Patriolino e Marcus Maia (violões).


No disco, além do repertório de Isaac e Marcus, uma releitura: “Asa partida”, de Fagner e Abel Silva. “Pensamos em uma regravação, pra ter uma referência para o CD, que tanto valoriza a música do Fagner quanto o nosso trabalho também. ‘Asa Partida’ é uma música belíssima, e era um sonho meu regravá-la”, assume Cândido. Retribuindo o presente, Fagner divide com Isaac os vocais na inédita “Clareza” (do baú de Isaac e Marcus), uma das mais belas faixas do disco. “A participação do Fagner foi supergratificante pra nós. A gente tem se aproximado bem mais, desde que ele se mostrou interessado em participar do CD, cedeu até o estúdio para gravação da participação dele. Tudo indica que ele vai participar da temporada, embora ainda não esteja certo em que data”, anuncia.


Outras releituras foram feitas por Isaac e Marcus para sua própria obra. Assim, “Os bêbados” e “Quase” (parceria tripla, com Rogério Lima) voltam a aparecer, em versões de acordo com a proposta do novo disco, cujas faixas são entremeadas por fortes poemas de Marcus Dias, na voz do próprio, às vezes aludindo ao tema de cada canção, noutras acrescentando imagens e interrogações. “‘Quase’ é uma música que se impôs para regravarmos, pela própria temática do show e do disco, sobre o tempo. E ‘Os bêbados’ é nosso carro-chefe, não tem nada que caracterize mais nosso trabalho do que essa música”, justifica Isaac.


Já “Os mamíferos”, que abre o disco com peso e poesia, mandando uma abraço para o representante-mor da vertigem da Praça do Ferreira, Mário Gomes, é, assim como “Enquanto” e “O tempo”, manifestação mais recentes da lavra da dupla, feitas a partir da atual retomada. Outras foram pinçadas do baú e das apresentações entre ouvintes mais íntimos. “Quatro tempos” - vejam só, um xote! - aparece depois de ter sido gravada no CD de João Mamulengo. “Disneylândia” era outra antiga, mostrada em alguns shows. “Sóbrio” é dedicada à madrinha Leny Andrade. E “Brisa”... Bem, esta, assim como “Clareza”, já justificaria o disco. Trata-se de uma antiga parceria, com letra de Marcus para valsa de Marcílio Homem. Outra verdadeira jóia, assim como fora “Segredo”, no álbum anterior de Isaac.”


CD ISAAC CÂNDIDO E MARCUS DIAS – ALGO SOBRE A DISTÂNCIA E O TEMPO – 2005

1-Os mamíferos (I. Cândido/M. Dias)
2-Enquanto (I. Cândido/M. Dias)
3-Quase (I. Cândido/M. Dias/Rogério Lima)
4-Brisa (Marcílio Homem/M. Dias)
5-Asa Partida (R. Fagner/Abel Silva)
6-Clareza (I. Cândido/M. Dias) – Part. De Fagner
7-Sóbrio (I. Cândido/M. Dias)
8- Quatro tempos (I. Cândido/M. Dias/João Mamulengo/Rogério Lima)
9-Os bêbados (Marcus Dias)
10-Disneylândia (I. Cândido/M. Dias)
11-O tempo (I. Cândido/M. Dias)

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