terça-feira, 25 de maio de 2010

Fagner- Reportagem anos 70


Esta linda foto (sem crédito de autor) ilustrava uma reportagem sobre Fagner no final dos anos 70. Era a época em que ele gostava de dar aquelas declarações “bombásticas” que, de certa forma, assustavam os jornalistas e já mostravam sua personalidade forte e a certeza do que ele queria e onde pretendia chegar. O título desta era: “O lugar de Roberto Carlos ainda será meu”. A matéria, assinada por Suzel Mendonça, tinha o seguinte texto:

“Há alguns anos, um “pau-de-arara” chamado Raimundo Fagner saiu do Ceará em busca do sucesso nas grandes cidades. Veio para o Rio, batalhou, lançou alguns discos e de repente a consagração pintou. A música “Revelação”, de Clodo e Clésio foi o grande barato, que inclusive fez surgir no mundo musical um novo símbolo sexual. Hoje Fagner desperta os suspiros apaixonados das ninfetas da zona sul do Rio, onde quer que apareça. E isso a tal ponto que há algumas semanas, uma delas invadiu literalmente seu apartamento, jogando-se em seus braços e fazendo uma apaixonadíssima declaração de amor. Mas Fagner não quer falar sobre isso. Segundo ele, a última coisa que pretende com seu trabalho é tornar-se um “sex symbol ” tupiniquim. Afinal de contas, da profissão ele quer muito mais. E diz até que está preparado para assumir o lugar de Roberto Carlos dentro da música brasileira.

-Olha, não me espanta nem me assusta assumir o lugar do Roberto. Inclusive, quando ele esteve lá em casa, no Ceará, conversamos a respeito. Existe uma admiração recíproca entre nós e a gente se curte muito. Eu sei que essa barra de ídolo está começando a acontecer comigo e, por isso, acho que tenho que ter tempo para refletir. Aliás, a reflexão é a minha saída para continuar coerente comigo mesmo e com meu trabalho.

Mas, nos últimos tempos, o que mais preocupa Fagner é a desesperada necessidade do descanso. Sua vida, meio na surpresa, se transformou num verdadeiro corre-corre contínuo entre produções de discos para outros artistas, arranjos, composições, shows e a gravação de seu próprio disco, “Beleza”. Por isso ele agora deu um tempo. Foi para Fortaleza, onde passará todo o verão junto da família, matando a saudade acumulada em tantos meses fora da terrinha. Voltar mesmo, só em março, depois de se apresentar em Salvador, Aracaju e Recife.

-Preciso por as idéias para a temporada que estou pretendendo fazer no Canecão, no Rio, em março. Ainda nada confirmado, mas os planos são quase definitivos. A direção dever ser de Miéle e Bôscoli. Queremos fazer um espetáculo bonito sem, entretanto, sair do meu estilo de trabalho. Não teria sentido apresentar algo que não tivesse a ver comigo.

E se a popularidade de Fagner cresceu de uma hora para outra, a vitória no Festival 79 da Tupi, com a música “Quem me levará sou eu”, de Dominguinhos e Manduka, só serviu para reforçar ainda mais. Os empresários estão aí, acenando com propostas mais tentadoras que ele, ao contrário do que se poderia esperar, recusa:

-Não quero lotar minha agenda com um show atrás do outro. Isso não me interessa. Eu preciso de tempo para me estruturar de forma certa. E estou apenas começando. Tudo o que consegui foi com meu próprio esforço e agora não adianta correr. Para mim, quanto mais devagar, melhor. O tempo passa e a gente amadurece. E eu acho que estou conseguindo esses primeiros passos agora. Por isso que esses títulos tipo “símbolo sexual” não estão com nada. A gente é sempre mais que esses rótulos.

Aos 29 anos, Raimundo Fagner ainda se diz muito novo e pronto para “meter a cara” em todos os sonhos. Entre eles, uma agência para cuidar de seus negócios e transações artísticas. Sem grandes vaidades, não troca o sossego do apartamento em Santa Teresa pela badalação de Ipanema. E nem as confortáveis camisetas de times de futebol por nenhum modelo mais requintado. Econômico, ele anda comprando umas terras no Ceará para construir seu “refúgio de descanso”. E agora um aviso para quem anda com pretensões mais sérias em relação ao rapaz. Apesar de se dizer um incurável apaixonado, ele não pretende trocar o estado civil. Sendo ou não um símbolo sexual.”

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