sábado, 15 de maio de 2010

Artigo de Cláudio Pereira

Como uma singela homenagem a Cláudio Pereira, reproduzo aqui um artigo dele que foi publicado na revista “Canto de Iracema” em sua edição no. 35, ano 9, maio de 2008 – Págs. 4 e 5.

MAIO 1968-2008 – CULTURA MAIORIDADE

Por Cláudio Pereira

“Admiráveis os anos sessenta! Havia clima de mudança em todo o planeta evidenciando talentos, criatividade e grande efervescência cultural. No mundo os Beatles, ícones das mudanças, no Brasil a bossa nova e o cinema novo, de certo modo um reflexo da nouvelle vague francesa. Era o novo que se manifestava em todos os segmentos da arte, no teatro, na literatura, na música, na pintura, o que também começava a acontecer, timidamente, em nossa Fortaleza, através do histórico, emblemático GRUTA, Órgão Cultural do DCE, da Universidade Federal do Ceará, que presidi enquanto ele existiu.

De repente, o maio de 1968, as históricas barricadas de maio e uma explosão de rebeldia, pela liberdade, pela justiça, contra o racismo, se alastrou pelo mundo com muitas vitórias então conquistadas pela juventude. No Brasil, infelizmente, o movimento desembocou no nefasto AI-5, com a ditadura impondo clima de terror, mordaça e repressão que quase castrou nosso movimento cultural.

Mesmo assim o inquieto mundo intelectual e artístico conseguia furar o cerco, através da música, do teatro de protesto e de outras manifestações culturais, naqueles tempos tão tristes e sombrios.

Duas décadas de ditadura são passadas e meados dos anos oitenta, voltamos a viver clima de redemocratização e mais agitação na cena cultural o que se traduziu pelo desabrochar da Fundação Cultural de Fortaleza, cabendo ao então prefeito e intelectual Barros Pinho assinar, final do seu mandato, a lei de sua criação e a Prefeita Maria Luiza Fontenelle a difícil tarefa de implantar, estruturar e instalar o Órgão que iria gerir a política e as atividades culturais da Prefeitura.

Com muita surpresa minha fui convidado para esta árdua e gostosa tarefa num tempo de recursos escassos e muitas dificuldades próprias de períodos de transição.

Norteamos nossa política pelo viés da democracia, buscando contemplar a Cidade como um todo, sobretudo os bairros periféricos mais carentes, e prestigiar as atividades culturais até então esquecidas do poder público.

Assim comandamos a Fundação Cultural de Fortaleza por 4 vezes, nas administrações Maria Luiz Fontenelle, Juraci Magalhães, Antonio Cambraia e parte do segundo mandato do Prefeito Juraci, quando renunciamos por não concordar com os caminhos pelos quais enveredava a administração municipal.

Com efeito, conseguimos realizar, modestamente, um trabalho que mereceu o reconhecimento do Ministério da Cultura, cabendo a Fundação Cultural ocupar a Vice-Presidência do Conselho Nacional de Cultura e a Coordenação Nordeste da referida entidade, ocasião em que também conquistamos para Fortaleza o troféu de Capital Turística do Brasil, entre outras coisas de repercussão nacional.

Não nos cabe neste pequeno espaço relatar pormenores das atividades desenvolvidas àquela época o que foi considerado como uma espécie de divisor de águas na história da vida cultural de Fortaleza, mas de dizer das muitas dificuldades que sempre encontramos, face a exigüidade de recursos, para atender as tantas e justas demandas.

Neste maio de 2008, quando o mundo relembra os 40 anos do histórico e emblemático 1968, a Prefeita Luiziane Lins, em gesto também histórico e dos mais lúcidos e louváveis promove a Fundação Cultural à Secretaria (Secult-For), deixando evidentes seu amor à nossa terra, seu carinho aos nossos artistas, seu respeito à nossa cultura, à nossa história e às nossas tradições. Portanto, estamos todos de parabéns.”

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