quinta-feira, 11 de março de 2010

Catulo de Paula

Foto de Joselito
Muita gente (inclusive eu) confundia Catulo de Paula com Catulo da Paixão Cearense, que na realidade é maranhense, como bem me explicou o poeta, escritor e publicitário cearense Arievaldo Viana que em seu texto abaixo, nos fala sobre esse grande compositor cearense: Catulo de Paula.

CATULO DE PAULA E AS TRILHAS DO CANGAÇO
Pesquisa: Arievaldo Viana
Nem no Ceará, sua terra natal, o genial CATULO DE PAULA é lembrado. Autor de grandes sucessos da música nordestina (Cowboy do Ceará, Como tem Zé na Paraíba, O pau de arara, Bebop do Ceará, Nóis num have, Na cabana do rei, etc) ele foi o nome mais requisitado nas décadas de 1960/70 para compor a trilha sonora dos filmes de cangaço. Na primeira versão da novela ROQUE SANTEIRO ele compôs um ABC em forma de cordel para cantar na voz de seu personagem, o cego Geremias.
ALGUNS FILMES DE CANGAÇO COM TRILHA SONORA DE CATULO DE PAULA :
Lampião, o rei do Cangaço
Meu nome é Lampião
Entre o amor e o cangaço
Os três cabras de Lampião
Nordeste sangrento
O filho do cangaceiro
CATULO DE PAULA – Nasceu em São Benedito-CE aos 13 de agosto de 1923 e faleceu em Fortaleza-CE em 10 de dezembro de 1984. Seu pai era cego desde os seis meses de idade e sustentava a família, composta de mulher e oito filhos, tocando violino, saxofone e clarineta em festas de sua cidade no interior cearense. Com oito anos, começou a tocar violão, ganhando os primeiros trocados para ajudar no sustento da família.
Em 1944, foi convidado para fazer parte do grupo "Os Boêmios da Noite". Na mesma época, mudou-se para o Recife, em Pernambuco, onde adotou o nome artístico de Catulo de Paula.

Em 1948, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, a fim de dar continuidade ao seu trabalho artístico. Em 1949, tornou-se acompanhante do cantor Vicente Celestino, com quem trabalhou durante longo tempo tocando violão. No início dos anos de 1950, ao apresentar-se no clube "Brasil danças", foi assistido por Fernando Lobo que apadrinhou sua primeira gravação.

Em 1953, lançou pela Continental, disco onde interpretava dois baiões, "Vai comendo Raimundo", de sua autoria e Amado Régis, e "O pau comeu", de Marçal Araújo. No mesmo ano, Aldair Soares gravou na Columbia de sua autoria e Jorge de Castro a toada baião "Saudade de Maceió". Destacou-se pelas composições satíricas, sendo uma das mais conhecidas, o baião "Bep-bop do Ceará", gravada pela Continental, em 1955. No mesmo ano, gravou de sua autoria o coco "Zabumbô, zabumbá". Em 1956, gravou o baião "Rosamélia", de Humberto Teixeira. Além de baiões, gravou sambas e canções, sem nunca ter se fixado num determinado ritmo.

Em 1957, gravou de Zé Dantas o baião "Nós num "have". Em 1961, gravou de Luiz Gonzaga o baião "Na cabana do rei", parceria com Jaime Florence. Em 1962, gravou aquele que foi seu maior sucesso, o baião "Como tem Zé na Paraíba", parceria com Manezinho Araújo, gravado também naquele ano e com grande sucesso, por Jackson do Pandeiro. O tom nordestino de sua música lhe valeu convites de diversos diretores de cinema que nos anos de 1950, exploraram a temática do "Cangaceiro". Participou das trilhas sonoras dos filmes "Lampião, o rei do Cangaço", "Entre o amor e o cangaço", "Os três cabras de Lampião", "Nordeste sangrento" e "O filho do cangaceiro".

CATULO FEZ A TRILHA SONORA DA PRIMEIRA VERSÃO DE ROQUE SANTEIRO, CENSURADA PELA DITADURA MILITAR
Nos anos de 1970, foi convidado para interpretar um cego cantador de feira na novela "Roque Santeiro", na TV Globo, tendo ele preparado um ABC, no qual narrava a novela em versos começando cada estrofe com uma letra do alfabeto. A novela entretanto acabou não indo ao ar pois foi vetada pela censura na época da ditadura militar. Anos depois a novela foi ao ar, desta vez com Arnaud Rodrigues no papel do cego.

Em 1976 a Tapecar lançou o LP "Geremias do Roque Santeiro", que trazia entre outras, "Roque Santeiro", "ABC do Roque Santeiro" e "Alegria dolorida", de sua autoria, além de "Prefiro ficar com Maria", de Paulo Gesta e Luiz de França.

Um comentário:

Weldon Wayne de LIma disse...

Eu que tive a sorte de achar o disco gravado em 1963 pela Odeon "A simplicidade de Catulo de Paula". Considero esse disco, como a melhor obra gravada da mpb, sobre a tematica do homem do campo, dos sertões, da vida interior. A voz de Catulo é única e sua forma de interpretar é uma aula de canto, cantando com alma ele conseguiu fazer essa obra prima que infelizmente o preconceito em relação a ele, imagino te-lo prejudicado muito e mais ainda aos que gostam da verdadeira mpb.

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