domingo, 12 de julho de 2009

Ednardo - Disco de 1983

Em 1983 Ednardo lançou um Lp que tinha por título o seu nome e o jornal musical “Nossa Música”- publicação mineira - em sua edição de março de 1984, fez a seguinte revisão, assinada pela editora Sara Amorim:

“Com Ednardo, o Ceará prova ter muito a mostrar. É mais um nordestino, desta vez rompendo com a máscara do regionalismo, sem perder sua identidade (?). “Eu não quero fazer um trabalho setorizado, regional, isto nunca me interessou”, avisa.
Muitos cantores e cantoras estão virando, acontecendo em sua década. E isto também é para Ednardo, que com seu novo disco completa 10 anos de gravações.
Se os ventos pedem rock...Tome rok! Ednardo recria, mistura, inventa e daí saiu “Rockcordel”, “bem mysteriozo”. E usando suas palavras no também rock “Super X”: “é que esse encontro faz grande milagre.”
Bons e sérios tempos foram aqueles do “Pavão Mysteriozo”(74-76). Tão bons de “Terral – Sou da América /Sul da América/South America...” Somos tão colonizados, que será que ainda sabemos de qual américa somos, cantamos ? O rock realmente toma conta até dos mais fiéis e interiorizados com a cultura brasileira.
Às vezes Ednardo lembra Eduardo Dusek, como em “Papai, Mamãe”- “Mamãe não quero ser um banqueiro/Guarda grana demais, depois é um perigo...Ê ê ê fez praia e sol/Esse é o pais do futebol/Papai não quero ser um soldado...”
Nem tudo está perdido. Como “Tudo”- ritmo lembrando Zé Ramalho – é tão bonito em letra e música, vale cantar: “Terra azul/Marcada de mim.../Pulsa o ritmo/Que unirá a força elementar.../Será pouco se disser/Será muito se sonhar/No verbo já há o acontecer/Sêmen do concretizar...”
Todas as músicas são de sua autoria, e se Ednardo consegue não dizer nada em frases como “...Toda molhadinha de chuva/De chuva molhada”, consegue ser também poeta em “Arraial”: - “...espanta o breu de nossa fome/Luzia menina homem/Varanda da esperança/Fornalha que está em nós...”com “Rubi”- lembrando Caetano Veloso no jeito de cantar- “...Te achar é seguir em frente/E verás que a luz aumenta cada vez que toca em ti...”
“A nível musical as pessoas esperam, que você cante uma coisa esteriotipada, sou de um espaço maior, uma música do planeta Terra, sou um cidadão do mundo”, diz .
Buscando uma coisa, um encontro maior consigo mesmo, e com o próprio universo, Ednardo se lança através da música para exteriorizar, para crescer e aprender, porque a música também é uma escola. E nesse disco de Ednardo se consegue ver a irreverência de um Eduardo Dusek, a força de um Zé Ramalho e a diversidade da interpretação de um Caetano Veloso. Tudo isso sem agredir o seu próprio trabalho, sem agredir a sua criatividade.
Ednardo tem a sua importância, tem sua força. Tanto que sobrevive as idas e vindas de muitos." (Sara Amorim)


LP EDNARDO – 1983 – EMI

Participação de Manassés e Robertinho de Recife

Lado A

1- Super X
2- Rockcordel
3- Arraial
4- Papai Mamãe
5- Tudo

Lado B

1- Rubi
2- Café com leite
3- Encantado
4- Nova Raça
5- Ponto de conexão

Todas as músicas de autoria de Ednardo

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