terça-feira, 7 de abril de 2009

Cacau Brasil

Foto de Klaudia Alvarez


O cenário era o Anfiteatro Dragão do Mar em agosto de 2007. Em plena realização da Feira da Música, que sempre atrai muito público à cidade, Cacau Brasil não podia ter escolhido melhor ocasião para gravar seu DVD “Acordes para o mundo” que mostra a integração que a música brasileira realiza entre povos de todo o planeta. Com uma interação perfeita entre os músicos brasileiros e os estrangeiros convidados para o projeto, o show alternou momentos de muita energia com outros de mais calma e emoção como a participação de Flávio Venturini. (Foto abaixo).
Com uma superbanda no palco, Cacau Brasil mostrou que é artista agregador e que tem muita facilidade de passear pelos vários ritmos que compõem a música brasileira.
Foi a primeira vez que assisti a um show dele e gostei bastante do que vi naquela noite incrível em Fortaleza.

Com esse seu belo trabalho, Cacau Brasil acaba de ser premiado no exterior, conforme matéria que reproduzo abaixo e que foi publicada no “Diário de Fortaleza”.

“O cantor e compositor Cacau Brasil foi agraciado com o Brazilian International Press Award nas categorias Arte, Cultura e Comunidade, edição 2008.

Ele receberá o troféu “Newspaper Boy” no dia 8 de maio, na Flórida

O prêmio foi fruto de uma turnê que o artista fez no ano passado em várias cidades dos Estados Unidos, lançando seu CD /DVD “Acordes pro Mundo”.

Segundo ele, o espetáculo teve uma boa recepção tanto por parte da imprensa especializada e dos produtores de música, quanto do público. “O espetáculo foi crescendo a cada apresentação. Por isso, foi selecionada como a melhor turnê realizada no exterior da música pop brasileira”.“Acordes pro Mundo“ foi gravado ao vivo em Fortaleza, no Anfiteatro Dragão do Mar, e lançado pela Som Livre.

O CD e o DVD contaram com a participação de Alceu Valença, Flávio Venturini, Ballet Oficial da Macedônia e dos músicos senegaleses Alboury Dabo e Cherifo Sisokho. Como nos discos anteriores, Cacau Brasil não se desvinculou da cultura popular brasileira. O importante da sua trajetória, segundo ele, é “levar a riqueza e a diversidade da música brasileira aos quatro cantos do mundo durante turnês internacionais”. Sua música, aponta, insere-se num contexto contemporâneo, mas reúne múltiplos ritmos populares do Brasil, como maracatu, coco, carimbó, frevo, entre outros.

Ele afirma que essa diversidade está presente em “Acordes pro Mundos” nos cenários, inspirados em elementos regionais, e em todas as faixas do CD/DVD.

“A proposta de ´Acordes´ é dialogar com o mundo, proporcionando um verdadeiro intercâmbio musical e cultural. Este é mais um resultado de muito trabalho e dedicação”.

Trajetória

Cacau Brasil, 37 anos, 10 anos de carreira, é um artista múltiplo. Mineiro, de Viçosa, mora há oito anos no Ceará, onde desenvolve também o projeto Tapera das Artes, em Aquiraz. Antes, em São Paulo, chegou a cursar arquitetura, faculdade que abandonou no quarto ano para se dedicar às artes. Em São Paulo apresentou-se em barzinhos, trabalhou com artes plásticas e foi contador de histórias.

“Fui puxado para as artes. Acabei, por fim, fazendo muitas coisas neste campo”. Chegou a gravar um disco em São Paulo, baseado na literatura de cordel. Passou também pelos palcos paulistas em diversas montagens e realizou oficinas de teatro e músico pelo Brasil.

Em uma de suas visitas ao Ceará, tomou contato com o Tapera das Artes. “Fiquei apaixonado”, recorda, lembrando ter assistido a uma apresentação de 40 crianças tocado pífano. Abraçou a causa e dedica-se à ONG há oito anos. “Virou um projeto de vida”, destaca.

Através do projeto, Cacau viajou o mundo, manteve muitos contatos. A Tapera das Artes evoluiu e ganhou prêmios importantes, como o “Criança Esperança” e o “Ayrton Senna. “Já passaram pela ONG mais de 5000 crianças carentes. Atualmente, são 800”, diz.Seu projeto artístico - explica - não está ligado apenas à musica, mas a muitos outros campos, numa espécie de interdiscisciplinaridade. “Não sei explicar. Tudo é muito intenso, interligado. Cada pessoa tem uma forma de sentir, tomar atitudes, realizar projetos. A Tapera é dos mais importantes . Dedico-me também às artes plásticas e ao teatro. Tudo isso está intimamente ligado com a música. Letras, melodias surgem da minha relação com esse universo”, relaciona. “A cultura popular, o homem simples também são fontes de influência, além dos muitos parceiros que tenho pelo mundo. De um quadro às vezes nasce uma música. Então, estou conectado com a arte 24 horas”.

Com quatro discos já lançados - “Acordes pro mundo”, “Cor da Terra”, “Imaginário” e “Revisionário” -, o artista diz não ter preocupação com a indústria cultural nem com a crítica especializada. Segundo ele, cada trabalho tem propostas diferentes, mas ao mesmo tempo interligadas. Sua maior fonte de inspiração sempre foi a cultura popular brasileira. Chegou a conviver com Orlando Villas Boas, aprendendo muito sobre o cotidiano e a cultura das diversas tribos indígenas do País. Também realizou diversas pesquisas no campo literário, focando estudos em Mário de Andrade e Câmara Cascudo.

“Não faço nenhuma apropriação da cultura popular. Pelo contrário. Minha música é simples”, aponta. “Tenho muita preocupação com os arranjos. É algo antropofágico: devorar, dirigir e reciclar. Sigo muito os passos de um dos meus parceiros. Alceu Valença, por exemplo, tem um trabalho relacionado com a cultura popular muito forte, particularmente a nordestina”. Por falar em Alceu, Cacau cantou ao lado dele e de Elba Ramalho para mais de um milhão de pessoas no último carnaval, em Recife.

Também já realizou inúmeros shows no Brasil e exterior, particularmente em países europeus e africanos. Com tudo isso, ele ainda não é um cantor conhecido do grande público. “Não estou preocupado com a grande mídia, gravadoras, indústria cultural, mas sim em realizar o meu trabalho. Talvez seja mais fácil caminhar numa estrada asfaltada do que abrir picadas em matas virgens. Não sigo modismos que possam prejudicar o trabalho. A finalidade da arte não é agradar. Para mim, a finalidade da arte é elevar o espírito”, sentencia. “Então não me preocupo com preconceitos, preceitos, conceitos. Estou propondo uma história. Talvez demore um pouco mais. Por exemplo, o prêmio que vou receber nos Estados Unidos é um momento importante da minha carreira. Um passo para novas conquistas. Mas não é o mais importante. Não fui fazer uma turnê em busca de prêmios, mas sim de mostrar o meu trabalho”.

DIÁLOGO

"A proposta de ´Acordes´ é dialogar com o mundo, um verdadeiro intercâmbio musical e cultural".

Cacau Brasil

Cantor e compositor

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