sábado, 6 de dezembro de 2008

CD Canções do Eterno Agora - Show de Lançamento

O texto abaixo foi copiado do site de Nelson Augusto -jornalista e radialista de Fortaleza. http://www.nelsons.com.br/


O CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara” será lançado em Fortaleza com um show de música e filosofia com o autor e alguns intérpretes do álbum Calé Alencar, Edmar Gonçalves, Lúcio Ricardo, Marcos Lessa, Sávio Dieb e Teti, no domingo 7 de dezembro de 2008. O evento cultural acontece no Teatro SESC São Luiz, na Praça do Ferreira, a partir das 20 horas.No CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara" emprestam seus vocais para as criações de Ricardo os intérpretes Amelinha, Calé Alencar, Edmar Gonçalves, David Duarte, Lúcio Ricardo, Marcos Lessa, Priscila e Teti.As letras das parcerias no CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara” são divididas com as melodias de Marcos Lessa ( “Pedra Azul” ), Caio Sílvio ( “Sofrer, Sorrir e Viver” e “Vinho do Perdão” ), Manassés de Souza ( “Amor de Verdade e Vala e Faça” ), Calé Alencar ( “Nave do tempo” ), Tiago Araripe ( “Diamante Sol” ) e Francisco Casaverde e Marcos Lessa ( “Altar” ), além de “Canções de Paz”, numa versão nacional para uma criação do jamaicano Bob Marley.Os arranjos do CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara” ficam por conta dos já consagrados instrumentistas do quilate de Robertinho de Recife, Tim Fonteles e Manassés de Souza, responsáveis por atmosferas sonoras de grandes intérpretes da música brasileira e também pelos nossos não menos criativos Calé Alencar, David Duarte, Lu de Souza, Filipe Paiva e Sávio Dieb.

Numa dezena de composições no CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara” os versos rebuscados desfilam em criativas melodias, nas quais os mais exigentes admiradores da MPB de qualidade que tiverem acesso ao disco, certamente vão se emocionar.

Lançamento CD “Canções do Eterno Agora – As Parcerias de Ricardo Alcântara
"Show de música e filosofia com Calé Alencar, Edmar Gonçalves, Lúcio Ricardo, Marcos Lessa, Sávio Dieb e Teti
Local - Teatro SESC São Luiz na Praça do Ferreira
Data – 7 de dezembro de 2008 - Domingo
Horário – A partir das 20 horas
Entrada gratuita com a compra do CD ( R$ 20,00 )

Comentários do autor sobre as músicas do CD

ETERNO AGORA – Esta música foi cantada no Festival de Camocim pelo Tazo Costa. Até então, é o único registro fonográfico de uma autoria do Aulo Silvio, o irmão mais novo dos compositores Graco e Caio. Eu a escrevi como uma reflexão sobre o arquétipo do “profeta”, aquele cuja capacidade visionária o faz tantas vezes um solitário, inspirado numa escultura do espanhol Pablo Gargallo, uma peça do acervo do Reina Sofia Museo, em Madrid. É, ainda, a mais antiga de todas as canções do disco. Recebeu um arranjo de levada pop, onde se destaca a guitarra distorcida do Lu de Souza.

PEDRA AZUL – Por outro lado, esta é a mais recente. Meu parceiro, Marcos Lessa, que também a interpreta ao lado da voz doce da Priscila, é um jovem compositor de 17 anos, uma “fera” de quem ainda vamos ouvir falar muito. A imagem da tela do meu computador era uma bela foto do planeta Terra. De tanto mirá-la, acabei fazendo uma canção para ela. O tratamento dado pelas seqüências sonoras do Tim Fonteles aproxima esta canção das modelagens new age.

SOFRER, SORRIR, VIVER – Uma parceria recente com o Caio Silvio, escrita num momento muito delicado, de mudanças radicais e dolorosas na minha vida. Esta gravação foi produzida originalmente para compor uma das doze canções do disco de minhas parcerias com o Caio, gravado pela Amelinha com arranjo marcado pela guitarra inconfundível do Robertinho de Recife.

AMOR DE VERDADE – Outra criação recente. Eu queria muito que esta letra estivesse na composição do disco. A princípio, reconhecia nela os recursos da poesia popular nordestina e, movido por isso, pedi ao Manassés que colocasse uma melodia. Ele me surpreendeu com uma música que transcendeu em muito as matrizes básicas regionais. O arranjo tem uma unidade sonora que me agrada muito.

CANÇÕES DE PAZ – Foi o meu filho Felipe quem me chamou a atenção para a beleza desta canção do Bob Marley (Redemption song). Eu percebi que ele tinha vontade de ficar cantando a música e não sabia a letra, em inglês. Daí, fiz a versão e convidei o Lúcio Ricardo para interpretar e ele deu a ela uma leitura definitiva, em dueto com as cordas do Lu de Souza.

VINHO DO PERDÃO – No aspecto sentimental, é a faixa do disco que me toca mais, pois fiz a letra no momento mais difícil da minha vida, preso a uma cama de UTI, ditando os versos para um amigo que me acompanhava, pois eu havia perdido o controle sobre os movimentos de todo o meu corpo. A voz do David Duarte dialoga com a sanfona do Renno Saraiva, produzindo uma leitura telúrica, muito apropriada para a melodia do Caio Silvio.

NAVE DO TEMPO – O Calé soube que eu estava fazendo esse disco e me telefonou cobrando sua presença nele, lembrando uma parceria inédita nossa, de muitos anos atrás. Foi um achado. A letra tinha tudo a ver com o conceito do disco. O próprio Calé tratou de arregimentar os músicos de acordo com as suas afinidades e me entregou a faixa pronta. Gostamos do resultado.

VÁ LÁ E FAÇA – Outra parceria com o Manassés, anteriormente gravada pela Téti. Pedi um arranjo novo para o Manassés. Ele deu um tratamento “new bossa” e nós convidamos novamente a Téti para regravar a faixa.

ALTAR – Essa letra fala de alguém que perde as suas referências e as reencontra a partir de um mergulho profundo na sua interioridade, metaforizada na canção pela figura de uma Montanha. É uma música mística e o arranjo “new age” do Sávio Dieb reforça ainda mais esta inclinação da peça. Com ela, um parceiro da juventude, Francisco Casaverde, marca presença neste trabalho.

DIAMANTE SOL – A letra é um substrato do livro bíblico Eclesiastes e nos remete ao arquétipo do “Rei sábio”, personificado naquele texto pela figura de Salomão e metaforizado na canção pela imagem do Sol. A melodia do Tiago Araripe, outro adepto da meditação, captou com muita propriedade toda a simplicidade que os versos oferecem como atributo da virtude. A Téti, mais uma vez, canta. E como canta!

Ricardo Alcântara: “Ser Poeta é viver Um Eterno agora”

Quando a infância me abandonou, eu me fiz poeta. Os primeiros versos foram escritos já nesta época, sob forte influência do ambiente familiar, cercado pelo hábito da leitura, tão presentes nos meus pais, um advogado e uma professora com militância no Partido Comunista desde a juventude. Também havia na nossa casa sempre uma música no ar. Uma vasta coleção de longplays girava na vitrola com o melhor da música popular brasileira dos anos 50 e 60. Ouvíamos canções de Noel Rosa, Lamartine Babo e Ari Barroso. Ouvíamos também Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Mas a primeira grande referência estética só veio aos treze anos, quando uma tia, voltando de um auto-exílio em Paris, me deu de presente um compacto simples com duas músicas de uma revelação recente da MPB. Era Caetano Veloso. Quando ouvi Alegria, Alegria com aquele bordão libertário (“por que não? Por que não?”), a minha vida ganhou trilha sonora. Enfim, alguém cantava a vida como eu a sentia.A partir dali, foi um mergulho voraz e radical na escrita e na leitura. Aos 18 anos, eu já havia lido tudo que havia de realmente extraordinário na poesia contemporânea de língua portuguesa, entre muitas outras coisas. As primeiras parceriasNesta época, a paixão pela música me fez reencontrar dois amigos de infância, irmãos de sangue, Graco e Caio, que já ensaiavam os primeiros acordes ao violão. O advento dos compositores do chamado Pessoal do Ceará, e a convivência com eles – principalmente Petrúcio Maia e Ricardo Bezerra – foi um estímulo decisivo para que a gente começasse a compor.Comecei, então, a escrever, além de poemas, também letras para as primeiras músicas que eles faziam. O Graco também escrevia. O Caio quase nunca. Passei a ser um parceiro freqüente deste.Em 1975, quando a ditadura militar ainda sinalizava o desejo de se prolongar indefinidamente e as atividades culturais davam abrigo a vozes silenciadas nas ruas, lá fomos nós, juntos com outros músicos – Francisco Casaverde, entre eles – ensaiar um show na garagem da casa do Tarcísio, o flautista da banda, que foi apresentado no teatro da Emcetur, que chamamos, sintomaticamente, de Rodagem, em alusão a uma música do Belchior.Literatura, sempre.Enquanto isso, eu suava em cima de uma máquina de datilografia, a Olivetti portátil de seu pai, produzindo poemas e mais poemas, me dedicando bem mais a isto. O verso livre, sem métrica e sem rimas, me parecia um desafio maior do que fazer letras de música.Por volta de 1976, o país vivia um fenômeno cultural chamado à época de “boom literário”. Surgiam novos autores no cenário editorial – Antonio Torres, Caio Fernando Abreu, Roberto Drummond, entre outros – e publicações por toda parte a repercutir o que parecia um renascimento da literatura no país, sufocada pela censura nos anos anteriores.Foi então, aos 19 anos, que passei a ver meus poemas publicados nas mais prestigiadas revistas literárias do país (José, Escrita, Inéditos e O Saco – este, editado no Ceará). Continuei colaborando com os suplementos literários dos jornais locais, O Povo e o Diário do Nordeste, mas só vim a publicar meu primeiro livro dez anos depois.A militância sem inspiraçãoLogo em seguida, decidi me mudar para São Paulo. Passei a freqüentar o Curso de História na USP e participar dos atos de organização do movimento estudantil, naquele ambiente efervescente de luta pela redemocratização. Eu respirava política 24 horas por dia. Como não acreditava em arte engajada, me engajei sem arte: fiquei uns três anos sem escrever uma linha!Foi nesta época que o Pessoal do Ceará começou a se consolidar como uma referência na MPB. Meus parceiros de então – Caio, Graco e Francisco Casaverde – foram para o Rio. Em conjunto ou separados, tivemos algumas músicas gravadas por Fagner, Belchior, Simone, Joana e Amelinha, principalmente. Mas, naquela fase, eu estava distante daquele projeto, mergulhado na minha experiência paulistana. A música popular não me envolvia ao ponto de buscar realização profissional naquela atividade. Eu assistia a tudo de longe. Uma obra a cada dez anosSomente em 1986 é que publiquei uma primeira coletânea de poemas, o livro “A colméia e seus idiomas”, numa edição da Secretaria de Cultura. Eu tinha um senso crítico excessivo. Custei a aceitar que aqueles versos era o que de melhor eu tinha a oferecer e precisava me submeter aos desafios da publicação. Felizmente, foram bem recebidos.O país já tinha um presidente civil e escrevia uma nova Constituição, quando decidi publicar meu segundo livro – “Você faz isso melhor que ninguém” – editado em São Paulo pela editora de Massao Ohno, mas com a iniciativa decisiva de Raimundo Gadelha. Foi outro parto: escrevi e reescrevi este livro por dez anos, de 1982 até o ano de sua publicação.Outros dez anos se passaram até a publicação da obra seguinte – “O deserto que se chama tudo aquilo” – pela editora Escrituras. Mas isto foi em 2002 e seis anos já se foram desde então. Por fim, conclui há seis anos atrás minha obra poética mais recente – “Nenhuma América para conquistar”. É possível que venha a publicar a partir do próximo ano.Não sou um poeta transbordante. Na minha vida, a literatura tem sido uma vocação profunda e uma atividade constante, mas não intensa. Viver, estar com as pessoas, trabalhar, viajar, me deixar levar por buscas existenciais mais diretas, tudo isso sempre consumiu muito das minhas energias. A literatura nunca foi um casulo. Nunca fui retraído o suficiente para ser um escritor de extrema dedicação.Em busca da canção perdidaDe cinco anos para cá, tenho tomado decisões que representam um resgate de diversas coisas que foram ficando pelo meio do caminho. Uma delas é me dedicar à divulgação das minhas parcerias musicais. Fui juntando o que havia dispersado. Os resultados estão aparecendo agora, com a produção de discos. Gravamos recentemente um disco somente com músicas em parceria com o Caio Silvio. São doze canções na voz da Amelinha com arranjos do Robertinho de Recife. Será lançado em breve.Canções do Eterno AgoraEste CD é composto por um conjunto de parcerias musicais cujas letras têm um conceito comum, voltado para temas universais – Tempo, Amor, Vida e Morte, Dor e Prazer... – e com uma certa inclinação reflexiva. Um dia, me dei conta de que eu havia desenvolvido no decorrer do tempo uma linha criativa nesta direção, de uma temática mais “filosófica”, e decidi reunir algumas dessas canções, as mais expressivas, em um único disco.Ele reflete um longo período, que já cobre mais de vinte anos, de dedicação pessoal à meditação. A inclinação à transcendência é um atributo fundamental do espírito humano. Um dia, senti um chamado interior, uma necessidade incontornável de me dedicar a experiências capazes de me colocar em contato com esta dimensão mais profunda do meu ser. As letras deste disco são produtos diretos desta escolha.Foi assim que nasceu este Canções do Eterno Agora.

Fonte: www.nelsons.com.br - 29/11/2008

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