quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Fausto Nilo - Novo CD

Recebi ontem o novo CD de Fausto Nilo. Assim como os trabalhos anteriores do maior letrista do país, esse também me agradou bastante. Fausto sabe que não é um cantor, então ele fica bem à vontade para dar seu recado de forma tranqüila e harmoniosa, como soa todo o CD. Belos arranjos e um lindo projeto gráfico, com ilustrações do próprio Fausto, o novo Cd traz uma interessante versão bem acústica de “Pedras que Cantam” , tão familiar aos nossos ouvidos de outra forma, bem mais rápida e agitada e presença quase que obrigatória nos encerramentos dos shows de Fagner.
O disco é muito interessante. Mais um belo trabalho de Fausto que retoma a parceria com o incrível Zeca Baleiro em duas faixas.

Abaixo a revisão do disco feita pelo jornalista Henrique Nunes e publicada no Diário do Nordeste em maio deste ano.

“Quarto disco de Fausto Nilo é uma nova festa de belos arranjos e canções

Com apenas uma regravação, “Fausto Nilo” é mais um projeto talhado com precisão pelo poeta-intérprete, cantautor. A releitura é “Pedras que cantam”, parceria com Dominguinhos, que estourou com Fagner, e aqui plena pelo arranjo de Manassés e Cristiano Pinho, onde o teclado de Ítalo Almeida e a percussão de Mingo Araújo cantam junto ao autor, numa projeção contemporânea não alcançada pelo registro original, mas ainda assim uma alegria brejeira que se renova, com direito a incrementos eletrônicos. E “vamos pra frente”. No coração do disco, palavras sobre a própria poesia, o canto e até o desenho, que o arquiteto executa de próprio punho ao longo do encarte, a não ser o da faixa “Auto-Falante”, feito por Marina Parente.A direção musical de Cristiano Pinho e Adelson Viana assegura o cenário acústico, adornado por elementos elétricos, familiar a Fausto. Um acordeom entre o teclado do mesmo Ítalo Almeida na canção “O Luar de Cuba” (com Beto Fae), por exemplo. Nada de bolero: aquela contemporaneidade que Fausto exala em “Cidades e Lendas”, “Baião da Rua” ou “Letras Negras”, abusando do lirismo e dos tons mais altos. É o arranjo mais cheio do disco, com Ítalo e a guitarra de Cristiano dando um rastro vintage que tem seqüência, com um toque eletrônico final, na tal auto-releitura de “Pedras que cantam”, evocada junto à percussão de Mingo, ao teclado de Ítalo e às 12 cordas apenas triscadas da super-equalizada viola de Mana.O piano de Adelson ganha o coração de vez, entre o sete cordas de Tarcisio Sardinha e o violino de Humberto de Castro, em “Canção sentimental”, que renova a parceria com Zé Renato, recentemente incrementada no DVD do carioca com o baião “Todo mundo quer um bem”. Aqui, “Fomos letras inspiradas/em Vinicius de Moraes”, entornam os versos finais da valsa, docemente arrebatada, ao “luar de prata”, entre os delírios singelos das cordas de Cristiano e Tarcísio Sardinha. E de Humberto, por certo. A cordi-“voz de cristal”, sentimental ainda, leva Fausto às “cordas” do teclado de Ítalo, além do violão parceiro de Moraes Moreira e do cavaco de Sardinha no samba “Auto-Falante”, maravilha requintada pelas percussões de Mingo e Hoto Júnior e o trombone de Nicinho, além do piano de Ítalo e um assobio-falante. A guitarra methenyana de Pinho, os pratos de Denílson Lopes, uma “última carta”, escrita e reescrita, lida e relida, ao piano de Antônio José Forte: “1978”, cujo subtítulo, “Revolta”, é apenas um dos encantos guardados pelos caprichos de Fausto. Mas que cordas são essas?! Quanta poesia!!! Desde a guitarra de Cristiano às do teclado de Ítalo?! Fausto pro próximo Festival de Jazz, sem falta!!!Inefável também, o bolero “Meu Amor Ideal”, com João Donato. O acordeom de Adelson respira entre violão e guitarra de Cristiano, o assobio de Fausto e o baixo de Jorge Helder. Adelson que ainda a tempera com um teclado meio anos 80. Fausto fala em “verso banal” que “arde” em seu coração. Latinidade que permanece em “Zum, Zum”, com Fernando Falcão, remetendo aos Novos Baianos, em versão francesa de Georges Moustaki, encantada por Paula Tesser, em dueto gracioso, ao acordeom bandoneado de Adelson Viana e aos batuques de Mingo, noutro belo arranjo de Cristiano. Duas novas parcerias com Zeca Baleiro, o chachachá “Velhos ciúmes”, dirigindo-se à amada em clima plenamente vintage, sob a percussa de Mingo, o baixo de Helder, o violão e a wah de Pinho, o piano de Adelson e algumas imagens já conhecidas, como um “nunca mais” repetido aos borbotões que remete ao “Dezembros”, da lavra deles com Fagner e as de “Um dia de amor”, de Fausto e Francisco Casaverde; e “Mais Luz!”, choro-canção com o clarinete de Carlinhos Ferreira e o 7 cordas de Sardinha, falando em “janela”, “camisa amarela”, “estrelas” e “quimera” entre um amor cheio de humanismo. “A paz só existe na novela/fui dormir pensando nela/e ela nunca mais voltou”, completa o poeta, entre o cavaco de Sardinha e o pandeiro de Mingo. “Palavras belas” pra humanidade “se apaixonar”, no momento mais feliz do disco.Outro baião, outra alegria transbordada com Dominguinhos, com o genial Adelson fazendo as honras. Entre “passarinhos no escuro” e “pirilampos do sereno”, Fausto flana, à flauta de Márcio Resende e ao acordeom do mago Adelson, entre os limites de sua voz e as alegrias de um forrozinho singelamente chorado: “Pra esquecer que o futuro acabou”, melancolia que não nos resta, Fausto “chorando ou cantando” noutra praça, isto já lá no fim do disco, que começa num sambaião (com timbres de choro-canção aos violões de Cristiano e Sardinha, percussa de Mingo e Adelson nos foles): “Eurídice”, com Moraes Moreira. Que ressalta: “o poeta cantor resiste”, moderno, na “balada triste”, antigo, entre “o viver e o amar” que “nunca foi nem será tolice”.O fole chama “A Princesa do Sertão”, outra desenhada com Dominguinhos, daquelas mais sentimentais de Fausto, ao violoncelo de Ocelo Mendonça: “Quando eu chegar ao mar/Brisa é seu nome/E eu vou matar a fome da sua voz/Depois chorar na rosa do seu perfume/Pra que chova sobre nós/Pra que chova sobre nós”, conclui o lamento de um Fausto que também se faz reconhecer entre as referências ao Oriente, tão citado na sua obra, de outro canto deveras sentimental na bossa de outros meridianos: “Deus só faz o que ela quer”, parceria com Ivan Lins que exorta, no subtítulo: “Eu e a musa”, entre cordas emuladas por Adelson em seu teclado, um piano dele mesmo, o contrabaixo de Helder e o clarinete de Carlinhos Ferreira. “Das rosas nasceram cristais”, diz outro verso sem espinhos na poesia fausta a seu eterno luar. Tudo isso sob os desenhos emanados pelas mãos do próprio intérprete e arquiteto: outro fausto para os fãs.”

Henrique Nunes – Repórter


FAUSTO NILO – 2008

1- Eurídice (Moraes Moreira/Fausto Nilo)
2- Princesa do sertão (Dominguinhos/Fausto Nilo)
3- Deus só faz o que ela quer (Eu e a musa) (Ivan Lins/Fausto Nilo)
4- Zum zum zum (Un instant de vie) (Fernando Falcão/Fausto Nilo) Versão francesa de Georges Moustaki
5- O luar de Cuba (Outra vez) (Beto Fae/Fausto Nilo)
6- Pedras que cantam (Dominguinhos/Fausto Nilo)
7- Canção sentimental (Zé Renato/Fausto Nilo)
8- Alto-falante (Moraes Moreira/Fausto Nilo)
9- 1978 (Revolta) (Moraes Moreira/Fausto Nilo)
10- Meu amor ideal (João Donato/Fausto Nilo)
11- Velhos ciúmes (Zeca Baleiro/Fausto Nilo)
12- Mais luz! (Zeca Baleiro/Fausto Nilo)
13- Pra esquecer que o futuro acabou (Dominguinhos/Fausto Nilo)


Um comentário:

Jackson Bantim (Bola) disse...

Gostaria de Informa de outros compositores e cantores do cariri Cearense, Cicero do Assaré, Jackson Bantim que inclusive tem composições gravada com o Quiteto Violado intitulada POETA MAIOR, homenagem ao grande poeta Patativa do Assaré, Temos tambem uma das melhores banda de Fórro Pé de Serra, HERDEIROS DO REI e abanda SETIMO SELO, que já esta gravando o seu primeiro CD.Abraço, jbantim

Vídeo de Zeca Zines no You Tube - Sensacional!