quarta-feira, 7 de maio de 2008

Rodger de Rogério - Show no Bar do Papai - HOJE!!

(Foto de Miguel Portela)

Reproduzo, abaixo, matéria do jornalista Dalwton Moura publicada hoje, no Diário do Nordeste:
"Rodger Rogério faz show hoje no Bar do Papai, mostrando canções da geração de cearenses que cantaram para o Brasil. E revisitando a Bossa Nova"
Entre a Bossa Nova e o Pessoal do Ceará, a distância pode ser mais curta do que se à primeira vista se imagina.
A música de João, Tom, Vinicius, Lyra, Bôscoli e de precursores como Tito Madi, Johnny Alf e Billy Blanco, teve convencionado como marcos iniciais o LP ´Canção do Amor Demais´, com Elizeth Cardoso interpretando obras de Jobim e Vinicius, e o compacto ´Chega de Saudade´, de João Gilberto. Isso em 1958.
Salto no tempo para a geração de músicos cearenses provenientes, assim como os artífices da bossa, da classe média urbana. Isso nos anos 60, em encontros na efervescência entre os diversos espaços da universidade e um punhado de bares, casas noturnas e teatros. Belchior, Ednardo, Fagner, Cirino, Petrúcio Maia, Téti, Dedé Evangelista, Fausto Nilo, Ricardo Bezerra, Brandão, entre outros nomes que singravam os ares da aldeia, também nas ondas eletromagnéticas da televisão, então muito mais local. Uma turma que, no início dos anos 70, ganharia visibilidade nacional, ainda que em diferentes graus de exposição, recolocando o Ceará no mapa da música brasileira, anos após pioneiros desbravadores como Humberto Teixeira, Lauro Maia, Evaldo Gouveia. A década de 70 seria do Pessoal do Ceará, no batismo encontrado pelo radialista e produtor Walter Silva para aquele grupo de artistas que chamava atenção como coletividade, mas nunca aceitou a pecha de ´movimento´.
Apartados pela geografia e pelo tempo, os dois contextos ganham um diálogo possível, na avaliação do cantor e compositor Rodger Rogério, um dos mais inspirados compositores da geração do ´Pessoal´, harmonista só comparável a Petrúcio Maia, como gosta de lembrar a cantora Téti. Esse cuidado nas tessituras dos melhores acordes para vestir as melodias seria, por si, herança direta da Bossa Nova, que segundo Rodger teve por aqui o mesmo efeito arrebatador registrado por artistas de outras praças, quando do ecoar da voz de João Gilberto, em 58. No clássico compacto que surpreendia pela batida do violão e pela colocação da voz, mínima, detalhista, ´cool´, em tudo destoante dos vozeirões do dó de peito. Um passo a mais, carregado de outras influências, naquilo que a rigor, conforme o próprio João, nunca deixou de ser simplesmente samba.
´Foi um encantamento!´, lembra Rodger, sobre as primeiras revoluções por minuto de João girando na vitrola, ou nas rádios da capital cearense. O cantor, que se apresenta esta noite no Bar do Papai, unindo o repertório do Pessoal a alguns clássicos da bossa que este ano chega aos 50, relata o impacto de ´Chega de Saudade´ por aqui. ´A primeira lembrança que eu tenho da Bossa Nova em Fortaleza é o compacto do João, com ´Chega de saudade´ de um lado e ´Bim-bom´ do outro. Na época, foi a primeira vez que se ouviu música daquele jeito, com aqueles acordes dissonantes. Foi uma estranheza, fenomenal mesmo´, registra.
Esquina predileta
A imersão no balanço da bossa se faz notar naquela que Rodger viria a considerar como sua primeira composição ´pra valer´: ´Esquina predileta´. ´Das minhas músicas que eu vou cantar no show, acho que é a mais influenciada pela Bossa Nova. Fiz em 67, quando tava terminando meu curso de Física em São Paulo, com saudade de Fortaleza´. O repórter provoca: a canção não traria, porém, uma certa melancolia bem cearense e uma letra ´engajada´ demais para a bossa do amor, do sorriso e da flor? ´É, a letra realmente não é muito da bossa... Mas a harmonia é´, contrapõe Rodger, entre lembranças da convivência com alguns dos ídolos da bossa, já nos idos dos anos 70, quando o Pessoal tomou o rumo do eixo Rio-São Paulo.´Conheci o Carlos Lyra, fizemos um show juntos. E conheci bem o Johnny Alf. Tocamos juntos, fizemos uma temporada de shows em São Paulo, no Igrejinha, na região do Bixiga. Ele me deu um caderno de partituras dele, que eu guardo até hoje´, conta Rodger.
Da bossa ao inédito
Na apresentação desta noite, no Bar do Papai, Rodger promete estar mais livre para a interpretação, deixando o violão sob responsabilidade de Tarcísio Sardinha. E contando ainda com a guitarra do filho, Rami Rogério, e com a percussão de Igor Maia. Como convidados especiais já confirmados, os cantores e compositores Rogério Franco, irmão de Rodger, e Eugênio Leandro. ´Soube que o Fausto reservou uma mesa. Se ele for, espero que possa cantar também´, diz Rodger, que guarda no violão uma música inédita, composta recentemente, sobre letra do poeta de Quixeramobim. À parte canções como ´Quem inventou o amor´, de Dorival Caymmi, e ´Foi a noite´, de Tom e Newton Mendonça, Rodger promete dar destaque ao repertório cearense, com algumas composições próprias e criações de seus colegas de Pessoal. A idéia é privilegiar a condição de intérprete."
Dalwton Moura
Repórter
Mais informações:Rodger Rogério e banda. Show hoje, às 21h, no Bar do Papai (R. Monsenhor Bruno, 1386, esquina c/ R. Torres Câmara, Aldeota). Couvert: R$5,00 (individual). Mesas para quatro e para seis pessoas disponíveis mediante reserva. Informações: 3264-3495.

Um comentário:

bandamodusvivendi disse...

Olá, sou Carlos Brandão, músico e vocalista da banda MODUS VIVENDI aqui de Fortaleza. Gostaria muito que nosso banda fosse incluída nesse espaço,o que seria uma grande honra.

A banda Modus Vivendi tem tido uma forte atuação no pop rock da cidade, tendo um vasto repertório de shows.


Paralelamente tenho também um trabalho individual com minhas composições.

Mais informações nos nossos sites e orkut

SITE: http://www.myspace.com/bandamodusvivendi


ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx

BLOG: http://bandamodusvivendi.blogspot.com/

CLIP DA MÚSICA “ADRIANA” NO YOUTUBE: http://br.youtube.com/watch?v=cGW-0xS5beo


Carlos Brandão

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